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Viajei recentemente por áreas centrais de cidades americanas e me surpreendi com a quantidade e diversidade de mendigos. Em Chicago, por exemplo, vi os tradicionais pedintes com placas que traziam frases como “clean and sober”, ou que narravam alguma história de vida muito triste. Alguns deles eram muito jovens. Em Boston, observei mendigos obviamente drogados, que me lembraram os nóias de São Paulo, embora não tão magros e pungentes. E, em Mineápolis e Miami, reparei nas ruas os doidinhos de sempre, falando frases desconexas, jogados ao mundo meio sem destino.

Que uma sociedade tão rica possa ter tantos mendigos urbanos é muito perturbador. E o número parece ter crescido, quando comparado ao tempo em que vivi lá, na década de 90. Depois, refletindo, me dei conta que nos países onde não existe a informalidade caracterizada no Brasil pela favela ou pelo loteamento clandestino, ou se é um morador numa residência formal, ou se é um morador de rua. Praticamente não existe meio termo. Quem é despejado e não tem recursos, vai para a rua e pronto.

A apesar de seus dramáticos problemas a favela parece funcionar entre nós como um espaço de amortecimento da pobreza urbana. Não fosse ela, teríamos provavelmente hordas de pedintes urbanos, em números muito mais dramáticos do que os que vemos hoje. Nesse caso, paradoxalmente, a favela parece ser uma solução.

E a verdade é que, com a forte crise econômica em que vivemos, o número de mendigos e de favelados vai aumentar em nossas cidades. E não haverá recursos públicos suficientes para amparar a todos. E a polícia não vai nos salvar.

Precisamos reconhecer que a presente crise social continuará a nos afligir por muitos anos. Não bastará a economia crescer, como o caso americano exemplifica claramente. Precisaremos também de soluções inovadoras, que encontrem novos caminhos num contexto de recursos muito escassos.

Neste ambiente complexo, o campo de negócios de impacto pode ser um dos caminhos mais instigantes a seguir. Quem sabe o seu projeto não vai ser a outra pedra no lago que dará início à grande onda de mudanças?

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Comentários

  • Empreendedor

    O processo de favelização que em muitos locais começou devido ao êxodo rural ainda se mantém devido a intensidade do processo de urbanização, também não vejo isso diminuir. Para agravar a questão, falta atenção e atuação do setor público e privado com comunidades e moradores de rua.

    Na minha opinião, o que tem se mostrado eficiente são projetos sociais que conseguem educar e empoderar os moradores de favela e de rua. Nesse sentido, acredito que ainda existem muitas oportunidades a serem desbravadas.

    • Din4mo
      De acordo Ruy, obrigado pelo comentário.
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