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As evidências:

 1. Desde 2015 o 1% dos mais ricos possuem mais riqueza que todo o resto do planeta;

2. Em 2016, 32 pessoas detinham riqueza equivalente a 50% da população global;

3. Em 2017, um ano depois, 8 pessoas detém o equivalente a 50% da população global (3.6 bilhões de pessoas);

4. Até 2037, 500 indivíduos passarão para seus herdeiros mais de U$2.1 trilhões. É mais do que o PIB da Índia, pais com 1.2 bilhão de pessoas;

5. A renda dos 10% mais pobres aumentou U$65 entre 1988 e 2011. A renda do 1% mais rico aumentou U$11.8mil. 782 x mais;

6. Um executivo de uma empresa do índice FTSE-100 ganha em 1 ano o mesmo que 10.000 bangladeshis de indústrias têxteis no pais;

7. Nos EUA, nos últimos 30 anos, a renda dos 50% mais pobres não mudou. A renda dos 1% mais ricos aumentou 300%;

8. No Vietnã, o homem mais rico do pais ganha em 1 dia o que o homem trabalhador mais pobre ganha em 10 anos.

No Brasil, 6 pessoas detém o equivalente a 50% da população brasileira (100 milhões de brasileiros).

 

Navegadores e descobridores de um novo mundo, empreendedores da esperança, é preciso acelerarmos a construção de um novo mundo.

Até ferver, a água não muda de estado. O calor persistente do fogo precisa de tempo para estimular essa mudança.

Nós, Seres Humanos, precisamos urgentemente mudar de estado! Em que momento chegamos nós aos 100 graus e, TCHAN, click, algo muda? Um novo olhar, uma nova forma de sentir, perceber e pensar. Um novo mundo emerge diante do nosso Ser e passamos a fazer escolhas (e por decorrência renúncias) diferentes das que fazíamos até então. O que pode ser o nosso “fogo” que estimula essa transformação?

Ao sermos expostos às evidências apresentadas acima é difícil não nos chocarmos. Entretanto, o que nos conduz do choque para a mudança? Há um abismo entre as cinco etapas a serem vivenciadas: perceber – indignar – sonhar – agir – mudar. Tenho me perguntado diariamente em meus devaneios o que pode acelerar a ação de cada um de nós, coletivamente. Qual é a chama que nos conduz à fervura, para transformar? E, em um jogo de simetria, o que nos impede? O que nos mantém no mesmo lugar, congelados, ou pior, nos torna insensíveis, após os 3 segundos de choque?

É neste sagrado instante, entre a intenção e a ação, que travamos as nossas verdadeiras batalhas como Seres Humanos. Aqueles segundos entre o sentimento verdadeiro que pulsa no coração, que se conecta e sensibiliza com o horror destas evidências e nos leva a exclamar “meu Deus, como isso é possível?” e a escolha que fazemos sobre o que fazer com esta informação.

Perceba, aqui há uma “chave” para a mudança de estado. Como podemos aprender a lutar essas batalhas, melhor preparados para vencê-las, respeitando através dos atos, a voz que ecoa na alma? Como ao fazer isso, emanamos nas empresas que criamos e lideramos a chama desse novo olhar, desse novo estado, dessa nova forma de viver?

Empresas são criadas por empreendedores! E empresas permanecem vivas quando mantém o espírito vital do empreendedor. Empresas se responsabilizarão pelo impacto que geram apenas se seus empreendedores se sentirem responsáveis por isso. Não há como ser protagonista sem assumir a responsabilidade – habilidade de resposta diante do que nos “chama” – diante da vida.

Precisamos de forma urgente dedicar nossa atenção a destrinchar a forma como percebemos, sentimos, pensamos e decidimos. A realidade é fruto dessas escolhas diárias, desse instante sagrado da batalha, entre a intenção e a ação. Precisamos inexoravelmente educar nossas crianças e jovens nesta direção de maior consciência pelos atos e suas consequências.

Os livros, relatórios de pesquisas e aulas na área de negócios, administração e economia, exibem teorias, ferramentas, casos. A empresa é o foco, e não o Ser Humano, considerado fator de produção pelos economistas, mão de obra pelos administradores e custos pelos contadores. Tudo se passa como se os instrumentos e tecnologias tivessem o poder de dar respostas e resolver problemas. No entanto a vassoura da bruxa não voa sozinha. O que grande parte dos livros faz é amputar a importância do Ser e realçar os papéis, as máscaras que empregados são induzidos a utilizar para cumprirem o que manda a descrição do cargo. A teoria e a prática das empresas em algum momento serão obrigadas a aceitar que a energia que gera transformações, inovações, são provenientes dos sonhos dos indivíduos e de elementos como emoção, talento, paixão, jamais mencionados nos textos da academia. Ao tentar se apresentar como ciência, as áreas do conhecimento dedicadas à economia e gestão tentam construir respostas consolidadas. No entanto a característica maior do empreendedor é estar sempre diante da indefinição total. O seu trabalho é justamente definir a partir do indefinido, agindo de forma protagonista na batalha que trava naqueles instantes entre intenção e ação. Fazendo escolhas alinhadas com o seu core (cuore – coração). E se não, há o vazio, o sem sentido, o sem significado e propósito. Ensaios sobre administração sugerem que é possível atingir um conhecimento que garanta a proficiência e resultados empresariais máximos. Tem-se a impressão falsa de que a resposta certa existe e que, durante todo o tempo alguém a domina. Ledo engano. Respostas certas, metodologias e procedimentos podem existir quando a referência é o passado.

O tempo do empreendedor é o futuro. Para inovar não há algoritmos. O empreendedor distingue um ponto no futuro onde deseja chegar, mas não há quem possa lhe indicar o caminho ou uma metodologia para busca-lo e que lhe explique como percorrê-lo. As dúvidas devem estar sempre em relevo. E as perguntas são a chave para resolvê-las.

A pergunta recorrente é e sempre será: e agora? Qual o próximo passo? Nunca existirá uma resposta certa.

O solo em que floresce a inovação é fertilizado por dúvidas e perguntas. Qualquer indivíduo, não importa a origem, o nível de escolaridade ou status financeiro, possui talentos e o potencial de criar. A grande tarefa é, seja através da educação, seja através de relações em rede, libertar tais potenciais e engajá-los, convidá-los a construir um futuro rico em propósito. No empreendedorismo o Ser Humano é o ator central. Ele está no palco, na lente do pesquisador, no foco do aprendiz. Se quisermos aprender a empreender temos que nos dedicar a decifrar o criador, e não a criatura.

As pessoas que transformam o mundo são contadores de histórias. Empreendedores também são exímios contadores de histórias. Dessa forma exercem a sua liderança e convencem pessoas a lhe ajudar a realizar o seus sonhos. Os conhecimentos trazidos por empreendedores são histórias cujas personagens centrais são as dúvidas, as incertezas, as encruzilhadas, e o fracasso onipresente. Esse é o imutável ambiente de quem inova. No entanto a grande sabedoria do empreendedor é transformar erros e fracassos em conhecimento. O empreendedor sabe que são a principal fonte de aprendizado e eles extraem as suas maiores lições.

A teoria do empreendedor, volátil e mutante, gira em torno do diálogo que ele estabelece com os seus sonhos e com os processos e caminhos que cria para transforma-los em realidade.

Empreendedores do mundo ousam sonhar um novo mundo. Um mundo no qual o sucesso de um negócio é definido pela felicidade coletiva que gera, pelos impactos econômico, social e ambiental positivos que constroem. É necessário olharmos internamente e, no silêncio da noite, nos questionarmos: de qual sonho está grávido o meu futuro? Qual história eu quero contar? O que estou esperando para começar?

A batalha pelo novo mundo é travada primeiro aqui, na primeira milha, dentro de nós, neste instante entre a intenção e a ação. É neste terreno que definiremos o nosso futuro coletivo, fazendo escolhas que façam mais sentido para a humanidade e nosso planeta.

Sonhando juntos, podemos mais. Sejamos todos navegadores e descobridores desse novo mundo, empreendedores da Vida. As evidências nos chamam, gritando!

#BeTheChange 

Este artigo é uma adaptação de um trecho do livro “Empreendedorismo na Base da Pirâmide”, que tive a alegria e honra de escrever com o amigo e irmão de sonhos, Fernando Dolabela, autor do “Segredo de Luiza”, referência mundial em empreendedorismo.

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Marco Gorini

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