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São Paulo, 25 de novembro de 2015 – O Estado de São Paulo, Caderno Especial

Uma boa ideia, chancelada por pessoas que acreditam que o lucro deve estar sempre acompanhado pelo bem-estar coletivo, serve de motivação para um número cada vez maior de jovens empreendedores que buscam no trabalho algum impacto social. Eles procuram se organizar em pequenos grupos horizontais, ocupando espaços compartilhados de coworking e desenvolvem, também, serviços ou produtos diretamente ligados com a internet.

No Brasil, essa tendência mostra-se forte o suficiente para chamar a atenção do estudo ‘Empreendedores de impacto’, realizado a partir de uma parceria entre a Artemísia e a consultoria especializada em startups Dín4mo. De acordo com o consultor e coordenador do levantamento, Haroldo Torres, essa é uma mudança irreversível para o empreendedorismo brasileiro e remete à geração de jovens empresários que cresceram sob o guarda-chuva da web.

“Essa geração tem proposto uma novidade, que é associar o trabalho a um propósito. Não se trata apenas de ganhar dinheiro, há uma demanda muito grande por unir o lado profissional e de remuneração ao âmbito da transformação”, explica o consultor da Dín4mo. “No que tange ao espaço público, é claro que existe uma série de necessidades. A oferta pública nesse sentido é muito deficiente. O que falta, porém, são modelos de negócio que fiquem de fato de pé do ponto de vista comercial”, pontua Torres.

Encontrar esse equilíbrio foi um dos desafios da Satrápia, empresa que cria e executa, há pelo menos dois anos, projetos de melhorias em espaços públicos. Por meio de patrocínios de marcas como Pão de Açúcar e Cantão, as empresárias cariocas Myrtes Mattos e Renata Tasca já espalharam pelo Rio de Janeiro “ninhos” de livros compartilhados, revitalizaram praças e agora instalaram o primeiro ‘parklet’ da zona sul da cidade. Com esse trabalho a dupla faturou, só no ano passado, R$ 400 mil e pretende, animada com o resultado, incrementar em 20% o desempenho da empresa neste ano.

“As pessoas têm o poder de transformar a cidade. Por outro lado, as marcas estão percebendo a necessidade de deixar um legado que vai além do comercial”, explica Renata. As intervenções da Satrápia precisam, porém, passar pela aprovação das subprefeituras das regiões onde serão instaladas, burocracia com a qual a empresária garante lidar bem. “O espaço público não é de alguém, é de todos. Para ideias inovadoras, há uma grande diferença entre custo e valor. Para as empresas, compensa muito mais trabalhar para a cidade, traz um valor agregado muito maior. É a experiência”, pontua a empresária.

Para o empresário recifense Gustavo Maia, a gestão eficiente das cidades depende do diálogo direto entre poder público e sociedade civil e, por isso, ele percebeu que havia espaço para uma plataforma que ligasse as duas pontas. Aliado a quatro sócios, Maia criou a Colab, ferramenta online onde a população sugere melhorias para a cidade e as demandas são atendidas pelas prefeituras. Hoje, são 100 cidades que usam a ferramenta como canal oficial de troca de informações – o índice de solução é de 70%. O serviço deve render R$ 2 milhões de faturamento em 2015.

“Somos da sociedade civil e sentimos os gargalos da gestão pública. Tentamos ser a melhor ferramenta”, reflete Maia, que já espalhou a Colab por capitais como Porto Alegre e Teresina. O passo mais ousado virá em 2016, com a captação de investimentos para internacionalizar a empresa.

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