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Nos meus tempos de estudante de economia, aprendi que o investidor típico é considerado um agente racional, que toma decisões com base nas dimensões de retorno, liquidez e risco de seus ativos. Porém, mais tarde, ao me tornar investidor, me percebi tendo um comportamento diferente. Por exemplo, embora a indústria tabagista pagasse dividendos estáveis e “saudáveis” e, portanto, fosse uma escolha racional de investimento segundo os critérios clássicos, nunca quis aportar recursos em papeis do setor.  

Assim, sem saber, estava me alinhando a um crescente número de investidores que incorpora critérios não econômicos às suas decisões de investir. Hoje, muitos se sentem desconfortáveis em apostar em negócios poluentes ou que tragam efeitos severos em termos de aquecimento global, como a indústria de petróleo. O endowment de algumas grandes universidades americanas é um exemplo de investidor que decidiu abandonar esse tipo de ativo.

Em outras palavras, para pessoas como eu, a racionalidade econômica convencional parece ser limitada: outros critérios mais ou menos intuitivos são também considerados no momento da decisão de investir. É óbvio que há expectativa de retorno financeiro, mas com a alocação dos recursos em projetos considerados meritórios – isto é, que tenham um propósito maior.

Muitos atores do mercado financeiro consideram essa perspectiva ingênua. E é possível que eles tenham razão. No entanto, ainda que não existam empresas perfeitas, a verdade é que há sim organizações com práticas corporativas mais inclusivas e sustentáveis do que outras, como há também setores com níveis de impacto social e ambiental muito distintos.

Se assim é, por que não escolher alocar pelo menos parte do seu portfólio em negócios que – na sua visão – sejam melhores para o País, ou para a Humanidade? Não se trata de filantropia, mas de uma visão ampliada da racionalidade, incorporando outras dimensões que vão além dos limites estreitos do nosso bolso.

Felizmente, este é um tema que vem sendo cada vez mais considerado nas políticas de fundos e de grandes investidores. Um recente artigo do New York Times trata do assunto. Vale a pena conferir.

http://mobile.nytimes.com/2016/10/29/your-money/aligning-your-investments-with-what-motivates-you.html?emc=edit_th_20161029&nl=todaysheadlines&nlid=4744425&_r=0&referer=

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