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Foto: Camila Domingues/Palácio Piratini

Entrar no mercado de trabalho nunca foi simples, mesmo para jovens com educação formal adequada vivendo em uma economia em crescimento.  Como consequência, a taxa de desemprego é sistematicamente mais elevada entre os jovens em todas as sociedades do planeta. E, em época de crise, é tudo muito mais complicado.

A barreira à entrada ocorre, em parte, porque a escola nem sempre prepara para o mundo do trabalho. Além de conteúdos básicos demandados pelos empregadores, como capacidade de se comunicar e pensar logicamente, existem requisitos comportamentais que raramente são ensinados no ensino básico. Tratam-se das chamadas habilidades socioemocionais (soft skills), que envolvem aspectos como autocontrole, foco, capacidade de colaboração e proatividade.

Outra dificuldade é que os jovens se encontram em processo de descoberta. O que sonham fazer é muito diferente do que poderão fazer.  Costumam experimentar muita frustração quando se defrontam no mundo real com a natureza do trabalho que encontram (como telemarketing) e com o ambiente do local. Afinal, se é difícil encontrar um trabalho que julgue interessante, aderir a uma estrutura hierárquica e ter um chefe muito mais velho também não é simples, certo?

Assim, a rotatividade tende a ser muito elevada entre jovens, que entram e saem de ocupações diversas até se engajar em algo mais definitivo. Essa dinâmica também coloca enormes desafios para o ensino técnico e para o superior. Por um lado, os níveis de evasão são muito elevados, pois a mesma dificuldade que os jovens encontram para se identificar com um trabalho, experimentam ao escolher uma carreira. Por outro, o grande processo de transformação tecnológica em curso tem colocado em cheque a lógica de formação “para a vida toda” que a maioria das universidades busca oferecer.

Embora isso não seja ainda permitido no Brasil (como na Inglaterra), faria muito sentido que um curso técnico (ou tecnológico) de informática fosse a primeira fase de um curso superior de duração longa na mesma área. Em outras palavras, ao entrar num curso superior de quatro anos, o profissional poderia se certificar ao fim do primeiro e/ou do segundo ano, tendo a opção ou não de seguir em frente se assim entender. Nesse caso, o aluno não concluiu todo o curso universitário, mas saiu com uma certificação que o permite avançar algumas casas na dura trajetória do mundo profissional.

Estas dificuldades têm provocado no mundo todo um amplo debate sobre as chamadas micro certificações (nanodegree). Tratam-se de cursos de curta duração voltados para temas específicos (como programação em HTML5), que buscam dar aos participantes as condições de se posicionarem muito rapidamente no sempre mutante mercado de trabalho. Os profissionais acham relevante, pois permitem rápido posicionamento de carreira, se for esse o desejo. As empresas tem grande interesse, pois podem acessar profissionais com especializações raras, ou muito demandadas recentemente.

Uma das organizações que está liderando esse movimento é a Udacity. Vale a pena conferir o interessante artigo sobre esse projeto no link abaixo.

http://techcrunch.com/2016/01/13/udacity-guarantees-graduates-from-its-new-nanodgree-plus-programs-will-find-a-job-in-6-months/

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