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Um número crescente de estudos vem alertando para o dramático impacto da automação para o futuro do trabalho. Dentre os mais recentes está o trabalho publicado pelo McKinsey Global Institute (link abaixo), mostrando que – com as tecnologias já existentes – 60% das ocupações têm pelo menos 30% de suas atividades passíveis de serem automatizadas. As áreas mais afetadas incluem as de trabalho manual, processamento e coleta de dados.

Embora muitos possam considerar esse tipo de fenômeno ainda distante, entrevistei recentemente um ex-operário da indústria gráfica que comentou a queda brutal no número de empregos no segmento. Por ser um setor que passou por grandes transformações tecnológicas, somente permaneceram na área aqueles capazes de se requalificar para operar os novos equipamentos sofisticados e modernos, que reduziram substancialmente a necessidade de mão de obra.

A rigor, a velocidade dessa transformação dependerá de diferentes variáveis econômicas e institucionais (como a taxa de investimento da economia, por exemplo), mas é certo que viveremos um cenário de crescente instabilidade no mercado de trabalho. As profissões para a vida inteira se tornarão cada vez mais escassas, e as carreiras surgirão e desaparecerão em velocidade crescente. Quem se lembra do digitador, uma profissão que empregava milhões de pessoas nos anos 80?

Como se adaptar a esse novo cenário? Algumas iniciativas certamente ajudam. As escolas, por exemplo, precisam rever seus conceitos para auxiliar os jovens a “aprender a aprender” ao longo de toda a vida. Essa habilidade aumenta muito as chances de migração bem-sucedida de carreira, permitindo maior flexibilidade e capacidade de adaptação ao contexto mutante do mercado de trabalho do futuro.

Outro aspecto-chave é a ideia da educação continuada. As nano certificações favorecem a transição de carreira e permitem que aqueles que entraram numa profissão em extinção tenham a chance de transitar com sucesso. Não por acaso, essa é uma das áreas onde as startups americanas de educação têm feito mais barulho. A Udacity é uma delas: a empresa oferece nano degrees na área de tecnologia, formando profissionais que nunca tinham sido expostos a esse tema.

E como ficar parado e satisfeito, com o emprego garantido, deixará de ser uma opção, arrisco a pensar que essa será também uma era desafiadora para o empreendedorismo. Afinal, para muitos, será a única perspectiva nesses novos ‘tempos modernos’.

http://www.mckinsey.com/global-themes/digital-disruption/harnessing-automation-for-a-future-that-works

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