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Um dos recursos intelectuais mais comuns é extrapolar uma teoria sobre como funciona o pensamento humano a partir de um único caso.  Embora saibamos que esse tipo de inferência é errado, não tem jeito: faz parte do nosso modo de pensar. No dia a dia, construímos generalizações sobre o outro a partir de uma única observação, ou mesmo de um único olhar.

Quando pessoas da elite falam dos mais pobres, esse fenômeno fica bastante evidente. Como profissional de pesquisa, muitas vezes ouvi reflexões sobre famílias de baixa renda carregadas de estereótipos, à direita ou à esquerda, conforme as preferências do freguês. Para uns, os pobres são preguiçosos e bagunçados, raramente vão à luta, preferindo depender da ajuda de terceiros ou de políticas sociais como o Bolsa Família. Assim, são os principais responsáveis pela própria tragédia. Para outros, os pobres são nobres e batalhadores, enfrentando com força e galhardia a batalha diária causada pelas condições perversas em que vivem. Nesta visão, são as grandes vítimas do sistema, persistindo e buscando continuamente a superação.

A verdade, obviamente, é que há pobres e ricos de todos os tipos:  dos mais desorganizados e imprudentes, que com suas escolhas contribuem para piorar as condições em que se encontram, aos mais focados, capazes de planejar sua rotina para poupar e investir no futuro da família. E, entre um extremo e outro, há um sem número de combinações que dizem respeito ao momento da vida, às influências recebidas e às oportunidades fortuitas. Em comum, somente a certeza de que não há uma única regra.

Para entender melhor essa complexidade, o Plano CDE e o Centro de Estudos de Microfinanças da FGV, com o apoio da Fundação JP Morgan, realizaram uma pesquisa sobre os hábitos financeiros de famílias de baixa renda no Brasil. E os resultados são fascinantes. Quem achava que entendeu tudo terá de rever seus conceitos.

 Um breve resumo do conteúdo da pesquisa foi publicado pelo Valor Econômico. Vale a pena conferir:  https://www.pressreader.com/brazil/valor-econ%C3%B4mico/20161125/282149290915353

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