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Muito se tem falado sobre vivermos uma crise civilizatória cuja raiz é um paradigma em ruina.

O paradigma do planeta ilimitado, do ganha-perde, da maximização do lucro a qualquer custo, do crescimento infinito, da posse e acumulação, de que a “parte” é maior e mais importante que o “todo” se dissolve diante de nós. Os indicadores de “stress” dos ecossistemas ambientais e sociais, assim como os individuais (psicossociais) estão em alerta máximo e com tendência de deterioração e não é novidade para ninguém.

Mas esses são apenas sintomas. E sabemos bem que tratar de sintomas não resolve. O fato é que vivemos uma profunda crise de significado, sentido, propósito. Uma profunda crise humana. Estamos diante, portanto, de um momento único em nossas vidas, àquele no qual somos convidados a nos repensar como Seres Humanos. E aqui se abre uma janela infinita de possibilidades e oportunidades.

Acredito que para ir ao cerne da questão, precisamos mapear, encontrar, criar e promover alavancas e forças motrizes que alicercem e acelerem a fundação de um novo paradigma. É um imperativo ético, moral e, dado o nosso contexto global, de sobrevivência.

Minha crença e esperança é também a de que o empreendedor de negócios sociais é uma destas forças motrizes.

E assim é porque atua como um catalizador nato dessa transformação paradigmática, pois ao questionar o “modo tradicional” com a sua prática e a sua lógica de escolhas e decisões, age como polinizador de uma transformação de consciência individual e comunitária, portanto, social. O verdadeiro empreendedor social está à frente do seu tempo, desbravando e iluminando o caminho que precisa ser pavimentado para o nosso futuro comum.

O que seria do nosso pais se 100.000 empreendedores de negócios sociais fossem exitosos em escala nacional? Será que é tão complexo tornar essa uma realidade? Queremos, sabemos, podemos e devemos criar as condições férteis para que essa semente empreendedora floresça e se desenvolva de forma sadia, integrada e inspirada. Como?

Do que precisa um empreendedor para ser bem sucedido? Essencialmente de qualidade e doses adequadas e articuladas de propósito, time, governança, capital, tecnologia, modelo de negócio, acesso a mercado, gestão.

Como criamos condições para adubar e irrigar o ecossistema empreendedor com essas "energias" e como aprendemos a respeitar o tempo necessário para as raízes estarem firmes o suficiente para sobreviverem as intempéries inevitáveis?

Como atores protagonistas do campo de negócios de impacto social, estamos criando essas condições com as nossas práticas? Como indivíduos e cidadãos, podemos qualificar e acelerar esse processo?

Precisamos de novas topologias, de novas arquiteturas de alianças estratégicas, distribuídas, focadas e alinhadas a este propósito, estruturadas para fortalecer as conexões e as partes, o ganha-ganha, que tenham práticas de relacionamento e negociais inovadoras e disruptivas, que sirvam de exemplo para inspirar e espelhar o novo paradigma, com a Vida sendo colocada no centro e as ações sejam coerentes, integras e consistentes com o propósito que nos une.

Precisamos de inspiração, talentos e competências essenciais para a construção das condições desse ecossistema. Pessoas que tenham esse propósito como bandeira de vida e emanem em seus atos a cultura desse novo modelo de existência, até que este movimento esteja forte o suficiente para irradiar uma nova proposta e tenha criado evidencias suficientes para “contagiar” e mobilizar os que ainda resistem e se apegam ao mundo que rui.

Precisamos de uma rede alicerçada na humildade das partes, na honestidade das relações e intenções, na solidariedade sistêmica, na sustentabilidade planetária, na dignidade humana e na perenidade organizacional e institucional.

O que distingue um empreendedor clássico de um empreendedor de negócios sociais? O propósito que escolheram servir e a forma como definem sucesso.

Só será possível qualificarmos e acelerarmos essa transformação que urge, se estivermos dispostos a questionar a quem ou a que Servimos. Para isso, precisamos encontrar a coragem de mergulhar no âmago do nosso Ser para nos perguntarmos porque e para que fazemos o que estamos hoje fazendo e o que nutrimos com as nossas escolhas.

Para que o novo emerja, precisamos permitir que o velho morra. Só assim será possível criarmos um ecossistema empreendedor e uma sociedade a serviço da VIDA.

Precisamos morrer para renascer. O que estamos esperando?

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Marco Gorini

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