Artigos

No mundo da logística e das telecomunicações, a última milha corresponde a etapa mais difícil do processo de distribuição. Essa última fase envolve, em geral, pequenas quantidades, em entrega direta para o domicílio ou para o pequeno varejo. Por ser muito fragmentada, essa fase de distribuição é mais cara e menos eficiente, especialmente no ambiente congestionado das grandes metrópoles.

Mas gosto também de pensar essa categoria no contexto das corridas de longa distância. Nelas, a última milha costuma ser a mais desafiadora, quando todos os recursos físicos já foram exauridos e o atleta terá de buscar – já no limite – “energia espiritual” para continuar competindo.

O tema da última milha, no contexto do empreendedorismo, é também relevante. Quando os empreendedores precisam expandir sua distribuição, costumam encontrar grandes dificuldades. Descobrem que seu produto é desconhecido em outras regiões e que os parceiros de distribuição não chegam de graça: precisam ser conquistados com propostas de valor muito claras e atraentes. Mesmo na distribuição pela internet, a última milha é cruel: uma coisa é gerar tráfego em um site ou app; outra é gerar oportunidades de monetização.

Também em suas trajetórias de médio prazo as startups acabam por se deparar com o drama da última milha. Muitas vezes, passado o frisson inicial, o negócio deverá passar por um caminho doloroso até finalmente validar de verdade o seu modelo de negócios e ser capaz de atrair o apoio de investidores que vão mesmo fazer a diferença em termos da expansão do projeto.

Nessa hora, é preciso foco, sangue frio, apoio e fé no propósito. E, sobretudo, resiliência – provavelmente a habilidade mais essencial dos grandes empreendedores. Querendo ou não, só seremos capazes de conhecer o nosso grau de resiliência quando tivermos de percorrer a última milha de nossos projetos. Prepare-se para chegar a ela com algum gás!

Enviar-me um email quando as pessoas comentarem –

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Din4mo.

Join Din4mo