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Em um histórico discurso no fim dos anos 70, Deng Xiaoping – o timoneiro das grandes reformas pró-mercado da China pós Mao – declarou que “não importava a cor do gato, desde que ele matasse o rato”. Ou seja, não importa a natureza da oferta (pública ou privada) de produtos e serviços, desde que atendesse à população.A frase de Deng continua sendo essencial para pensarmos o Brasil de hoje. Em meio ao ruído do debate ideológico primitivo em que vivemos, a verdade é que não faz sentido defendermos soluções vinculadas ao Estado, simplesmente por serem estatais, assim como não faz sentido defendermos soluções privadas, simplesmente por serem privadas. O que importa é que as crianças sejam atendidas e aprendam; os hospitais e os postos de saúde funcionem e os pacientes saiam curados; os transportes cheguem a todos os lugares e as pessoas circulem rápida e livremente.

Se a escola pública de periferia não funciona – mesmo em cidades ricas e bem financiadas – será possível utilizar outras soluções? E se as alternativas funcionarem, por que não? A proposta dos negócios com impacto social segue exatamente essa lógica: buscar soluções privadas para problemas sociais que continuam a torturar os cidadãos, a despeito do enorme crescimento do gasto público no Brasil nas últimas décadas.

A escolha entre soluções públicas ou privadas deve ser pragmática, e não ideológica: o que funciona melhor? O que inclui mais pessoas? O que custa menos? Não há resposta pronta, nem única.

Para beneficiar a população, é preciso desenvolver soluções efetivas e eficientes – por meio tanto de novos desenhos de políticas públicas como de modelos de negócio inovadores e de baixo custo. Algumas soluções público-privadas têm sido ensaiadas nos últimos anos, como o Pronatec e o Fies na educação, o Minha Casa Minha Vida na habitação e o modelo de Organizações Sociais (OS) na saúde. Mas os resultados são contraditórios. Temos muito a aprender nesse campo.

Sem experimentação consciente, não haverá progresso. Mas precisamos parar de fingir que, isoladamente, o Estado ou o Mercado será capaz de responder a todos os nossos problemas. O que importa é a habilidade do gato, não a sua cor.

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