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“O custo de oportunidade é um termo usado em economia para indicar o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada, ou seja, o custo, até mesmo social, causado pela renúncia do ente econômico, bem como os benefícios que poderiam ser obtidos a partir desta oportunidade renunciada”. (wikipedia)

Economistas e financistas adoram usar o conceito de custo oportunidade nas suas argumentações. Constroem racionais fantásticos utilizando esse conceito em seus modelos de gestão de ativos. Em tese, ao escolher alocar os recursos nos ativos que maximizem o custo oportunidade do seu portfólio, se está fazendo uma boa gestão.

É paradoxal que sendo essa a lógica do mainstream ao tomar decisões individuais, nos encontremos em uma situação tão calamitosa coletivamente. Afinal, parece que a propalada premissa de que o ótimo individual traz como consequência o ótimo global teima em ser contrariada pelas evidências da nossa sociedade, seja qual seja o prisma e o indicador que queiramos utilizar. Dito desta forma parece óbvio, mas sabemos que no comportamento diário, é assim que a banda toca e é assim que decisões simples e até mesmo estratégicas são tomadas.

Porque então essas decisões não são tomadas baseadas em outras premissas? Será que essa lógica – que nos trouxe até o abismo que nos encontramos como sociedade e planeta – tem realmente sido eficaz? A quem ela serve e beneficia? A quem ela torna servo e prejudica?

Nos últimos anos, estive dezenas, senão centenas de vezes, diante do “custo oportunidade do percentual do CDI” como uma barreira para avançar em um projeto empreendedor. Como empreendedor que sou e com empreendedores que lidei, também vivenciei diversas vezes como o sonho, o propósito, a vontade de realizar foram mais fortes do que o racional do custo oportunidade das planilhas de excel.

Posso parecer míope, ou até ingênuo ou mesmo romântico, mas o dia a dia me mostra que quando somos movidos por algo maior que nós, esse sentimento não pode ser capturado e aprisionado por modelos simplórios com premissas simplórias.

Como fomos capazes de chegar a esse ponto onde nossas vidas são determinadas pelo percentual do CDI? Quanto tempo levaremos para perceber que esse indicador nos reduz ao ínfimo do que somos? Quando começaremos a perceber que essa perspectiva não está servindo ao que de fato importa na vida? Sozinhos a noite nas nossas camas, tenho certeza que compactuamos e divagamos todos neste mesmo questionamento. Sabemos, com todo o nosso coração, que algo está muito errado. O que falta para mudarmos?

Estamos felizes como indivíduos, famílias, comunidade? As evidências mostram que nem um pouco. E ano a ano elas tem piorado. Sensação de que a febre está aumentando e não percebemos. Chegamos a ter convulsões mas ainda assim resistimos a mudar. Aguardando o que? Será que mais do mesmo nos levará a algum lugar diferente?

Precisamos com urgência olhar para dentro. Precisamos re-conectar-nos e re-conciliar-nos com nosso coração, nossos valores, nossos princípios, aqueles que muitas vezes nos sussurram do porão da alma, querendo nos alertar, como anjos, que precisamos mudar o rumo. Precisamos re-significar a nossa vida e a nossa existência. Individual e coletivamente.

Quanto mais evitemos ficar diante desta questão, maior será a dor da mudança ou das consequências da paralisia. Já está sendo.

Muitos dizem que não há alternativa. Que assim é. Que não há como mudar. Que não sabem como, mesmo querendo. Cuidado. Aqui há uma armadilha, pois não é preciso saber de antemão as respostas. Essa é a maior falácia e mentira que nos contam, pois delas surge o principal inimigo para a mudança, que é o medo.

 A beleza da mudança está na pergunta questionadora. E após ela haverá o deserto do não saber. Mas diante dele, temos infinitas possibilidades de nos reinventarmos como pessoas, pais, cidadãos, sociedade. Esse é o dia a dia de qualquer empreendedor, seja de um negócio ou da sua vida. Ficar diante do abismo do não saber o que virá, mas ao mesmo tempo, conectado e movido pela sua visão de futuro, pelo seu sentimento de que é possível e pela sua confiança em si e nos seus.

E se ainda assim, diante de tantos caminhos, aos que preferirem retornar ao “custo oportunidade” como padrão decisório, pergunto eu: para nós, para a nossa sociedade e a nossa Nação

Qual é o custo oportunidade de reproduzirmos a pobreza?

Qual é o custo oportunidade da baixa auto-estima?

Qual é o custo oportunidade da ignorância e do analfabetismo?

Qual é o custo oportunidade da violência em todas suas as facetas?

Qual é o custo oportunidade da doença?

Qual é o custo oportunidade da solidão?

Qual é o custo oportunidade de não sonhar e não realizar?

Qual é o custo oportunidade de não amar?

Qual é o custo oportunidade de não ser feliz?

Sugiro incluirmos essas analises ao lado das do percentual do CDI.

Claro, muitos dirão que estou falando de filosofia e não de negócios.

Será? Porque? Afinal, a serviço de que estão os negócios? Ganhar dinheiro apenas? O mundo grita diariamente na direção de que não é bem por ai...

E você? O que pensa? O que sente? O que quer? O que te faz feliz? O que você faz, diariamente, para nutrir esse sentimento?

Compartilho um artigo para todos refletirmos sobre nosso futuro comum e como podemos ajudar o mundo!

Link - http://www.bbc.com/portuguese/geral-40136177

Soltemos o que não importa. Leves, vamos mais longe. E juntos, viajamos melhor.

#BetheChange

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Marco Gorini

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